quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Resumo de Sessão #2 - A Joia dos Mistérios

    Salve! Este é o segundo resumo das sessões de campanha mais antigas, contando as aventuras e (mais recorrentes) desventuras do maior grupo de heróis desbravadores que Tellerian já viu. Embora eu estivesse achando que seriam apenas três resumos gigantescos, percebi que prefiro posts menores, para que fique bem pontuados os momentos de cada sessão. Assim fica mais fácil de lembrar o que aconteceu e a leitura não fica muito pesada.
    Os personagens são a elfa ladina Laurana (Julia), a senhorita discórdia, que sempre pensa em si mesma antes de qualquer coisa; o elfo monge Gadeus (Neto), o mais comedido do grupo, com a pior mão de todos (haja falha crítica); o bárbaro meio orc Ugo (Caio), que apesar de ser o louco do grupo, algumas vezes põe os óculos da sabedoria e vira o conselheiro; o feiticeiro meio anjo Kaly (Eddie), que tem um código dos heróis, mas sempre acha brecha pra fazer coisas erradas (os Deuses estão vendo); a paladina draconato Brianna (Marcela), que definitivamente deixaria você morrer só pra dar mais uma machadada no inimigo; e o arcanista  milenar Rafiki (Arthur), também conhecido por sua arte de tortura física e psicológica (você ainda tem dezoito dedos...).

   Na primeira sessão, vemos as primeiras escaramuças de três personagens (Ugo, Gadeus e Laurana) com a elfa que levou Gadeus a matar o próprio amigo. Numa aliança temporária, os três se unem para caçar e eliminar a bruxa. Assim, seguindo a trilha deixada por sua carruagem sem cavalos, os companheiros adentram na terra seca que antecede o deserto.

Capítulo 2: A Joia dos Mistérios

   Em sua caçada à elfa bruxa, Azira, os três companheiros adentram no deserto. O esforço de subir e descer dunas logo leva ambos os elfos à exaustão e, pouco a pouco, a água que traziam se esvai. Ao longe, Laurana avista o reflexo esperançoso de um oásis, para o qual se dirigem imediatamente.
   
   Kaly, o meio anjo, enviado em busca das Cartas de Eriol, é direcionado pela aura mágica do artefato, caindo no deserto. A caixa que Laurana encontrara, não sabia ela, continha as quarenta cartas que o anjo procurava. A emanação da Graça do meio anjo caído criou um pequeno bosque no meio do deserto, produzindo água onde antes apenas areia havia.

    Os três viajantes tão logo chegaram ao oásis, encontraram o meio anjo, que tomara a forma de um menino. Anoitecia, e não tiveram outra escolha além de montar acampamento ali mesmo. À proximidade do pequeno, a caixa que Laurana trazia na bolsa reagiu, brilhando e revelando um enigma em uma de suas faces. Kaly, evitando contar sua origem extraplanar, explicou o que a caixa continha, tentando convencer a elfa de que era por demais perigosa para ser aberta.

   Laurana, no entanto, apenas se interessou ainda mais pelo objeto, recusando-se a ouvir o garoto. Para que sua missão não fracassasse, Kaly sugeriu que o levassem consigo, demonstrando ser útil ao curar os ferimentos que Azira infligira à Gadeus e Ugo. Restaurados, os dois combatentes logo se puseram a favor da companhia do estranho garoto.

    Pela manhã, puseram-se à caminho. A trilha deixada pela carruagem de Azira desaparecera, mas por algum motivo, o pequeno rapaz conseguia enxergar o rastro mágico deixado por ela. Ainda mais satisfeitos por acolher o garoto, Gadeus e Ugo deixaram que Kaly os guiasse, caminhando durante todo o dia. O crepúsculo chegou e com ele os problemas. Ambos os elfos viam, na penumbra, seres se aproximando por todos os lados. No escuro, puseram-se a fugir, procurando um lugar onde pudessem lutar com a vantagem. Ambos os elfos, exaustos, já não conseguiam mais dar um passo e Ugo, numa demonstração de força sobrehumana (e uma ajuda muito grande dos dados) colocou ambos os elfos sobre os ombros, subindo toda uma duna a carregá-los.

   Do alto, viram um vale iluminado pela luz do fogo. Um guerreiro imenso lutava sozinho contra meia dúzia destas criaturas inumanas. Com uma tocha numa das mãos e um machado na outra, o combatente lançava ataques de um lado e de outro, recuando cada vez mais.

   Ugo soltou os elfos, sacando os machados. Se era assim, ele lutaria também. Numa corrida desenfreada e ensandecida, o meio orc desceu a duna, se juntando ao guerreiro desconhecido no combate aos mortos vivos que o cercavam. Sem opção, os outros companheiros se juntaram ao embate, mas estavam em desvantagem numérica. Ao longe, Laurana avistou um tabuleiro de pedra, uma elevação sobre a qual teriam uma chance de vitória.
   - Gadeus! - gritou ela, apontando para a ilha.
   O elfo assentiu e, juntos, tentaram abrir caminho para correr até o local, mas estavam sendo subjugados. Em mais uma demonstração de poder, Kaly ergueu as mãos, convocando uma magia de esconjuro: a luz forte transformou a noite em dia por alguns segundos e uma dúzia de mortos vivos inflamaram, queimando com um fogo branco. A devastação causada pelo garoto anjo foi o suficiente para que tomassem a dianteira, subindo o íngreme planalto. Estranhamente, as criaturas - que já somavam duas dezenas - pararam de persegui-los tão logo os aventureiros subiram no planalto. Sem chance contra tantos, recuaram, avistando uma caverna.
 
   O guerreiro desconhecido era um draconato. Uma guerreira das tribos de draconatos escuros, Brianna. Após apresentações apressadas, o grupo cautelosamente entrou na caverna, procurando por uma saída que os levasse para longe daquela horda de mortos vivos.  

   A caverna, escura, logo passou a ser iluminada por uma luz verde que tremulava, como o reflexo do sol num lago. A iluminação fantasmagórica lhes deixou temerosos, mas - de armas em punho - ingressaram na vasta câmara de onde se originava o brilho. Estavam numa espécie de laboratório. Estantes e mesas cheias de páginas e pergaminhos estavam dispostas desordenadamente. Vidrarias de alquimista, caldeirões e peças metálicas estranhas estavam jogadas por todos os lugares. Um homem velho e calvo estava a preparar uma solução escura, sem nem mesmo dar-lhes qualquer atenção.

   O brilho verde vinha de um orbe. Uma imensa gema esférica que brilhava, pulsando como se estivesse viva. Dentro dela, sombras e vultos deslizavam como fantasmas, sussurrando coisas indistinguíveis.

   Os companheiros se espalharam pela sala, observando o local. Brianna se aproximou do velho, percebendo que ele tinha um olhar vazio e a expressão vaga de quem está em coma. Apesar disto, ele continuava a trabalhar, como se estivesse sonhando.

   Gadeus se aproximou da jóia, examinando-a com interesse. Enquanto isso, Laurana havia paralisado, sem que ninguém se desse conta. Numa voz grave e ressonante, primeiro baixa como um sussurro, até reverberar nas paredes da caverna, o orbe falou:

    - Trazem consigo um poder imensurável. Hão de atormentar os fracos com este poder. Irão submeter os inimigos. Perder os aliados. Ao fim, ordem emergirá do caos. Verdade, do esquecimento. Vida, a partir da morte. Irão destruir... Para então aprimorar.

   Muitas visões se passaram nas mentes de cada um. Laurana piscou repetidamente para retomar o controle de si mesma. Os companheiros olhavam uns para os outros, sem entender o que havia acontecido, tendo a sensação de que muito tempo se passara naquele sonho acordado.. Gadeus se viu com a mão apertada contra o orbe e logo recuou. A bolsa da elfa emanava luz, pois novamente a caixa reagia ao ambiente.

   Brianna, na curiosidade embrutecida de sua raça, tentou parar o velho, chegando a empurrá-lo, para que saísse do feitiço em que estava, isso - no entanto - enfureceu o orbe. A fúria da joia misteriosa fez tremer a caverna, derrubando estalactites. O poder devastador do orbe lançou pergaminhos, mesas e outros objetos ao ar, ferindo todos na sala. Aos berros, a companhia fugiu da caverna antes que fossem soterrados.
   O sol se erguera e a horda se dispersara. Estavam a salvo, por hora.

    Considerações: Esse resumo juntou alguns dos acontecimentos da segunda sessão de jogo (tenho certeza que esqueci de alguma coisa, mas não me julguem - faz tempo pra caramba). Mudei alguns acontecimentos, para que as coisas fizessem um pouco mais de sentido e ficassem melhor no texto, mas acho que não foi nada absurdo. Com isso, se juntam ao grupo mais dois jogadores e fica faltando apenas dois: Arthur e Luis, esse ultimo que só entrou lá na frente.
    Desventuras à parte, não houve nenhum desenrolar muito grande de história, mas isso é comum, já que o jogo é sandbox e quem decide o rumo da história são os jogadores. Esses carinhas de nível baixo passam por cada aperto... Sem dinheiro para mantimentos, vão ter de ralar pra conseguir dinheiro, passando perto de morrer várias (e são várias mesmo) vezes.
   Com isso, alguns dos ganchos de aventura são lançados, com o grupo descobrindo a importância da caixa que Laurana havia encontrado. As Cartas de Eriol, que vão ter um peso muito grande no futuro. Enfim, é isso aí.
   Até a próxima.

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Resumo de Sessão #1 - Um Grupo Improvável

    Salve! Este é o primeiro de uma série de resumos das sessões de campanha mais antigos, contando as aventuras e (mais recorrentes) desventuras do maior grupo de heróis desbravadores que Tellerian já viu. Antes que os reportes de verdade comecem, farei uma narração um tanto apressada dos eventos decorridos durante as sessões dos últimos meses.
    Os personagens são a elfa ladina Laurana (Julia), o elfo monge Gadeus (Neto), o bárbaro meio orc Ugo (Caio), o feiticeiro meio anjo Kaly (Eddie), a paladina draconato Brianna (Marcela) e o arcanista  milenar Rafiki (Arthur).

Capítulo 1: Um Grupo Improvável

    Durante a primeira sessão de campanha, a aventura se inicia com um atordoado e desmemoriado meio-orc, Ugo, acordando numa vila. Tendo em mãos vários pertences roubados e uma população revoltada atrás de si. Numa fuga desenfreada, o azarado meio-orc fere alguns dos aldeões, incitando a fúria da população. Tendo poucas chances contra tantos, Ugo foge para a floresta, seguido de perto por dois caçadores.

     Na floresta, dois elfos camponeses investigam um rastro de homens mortos na orla do bosque e avistam ao longe o meio-orc em fuga. Ferido, Ugo desmaia e é levado por Gadeus para uma casa dentro do bosque. Antes de seguir o amigo, Laurana revista os mortos caídos no chão, encontrando algumas moedas e uma caixa, que rapidamente esconde nos bolsos de suas vestes, guardando um sorriso para si mesma.

    Mais tarde naquela noite, Ugo acorda amarrado numa cadeira e, interrogado pelos elfos, explica que na verdade estava a caçar um grupo de assassinos e foi enfeitiçado por uma elfa negra; ao sair do feitiço, viu-se cercado por homens e segurando pertences roubados. Sem ter como explicar, fugiu da vila, sendo caçado pelos homens que deveria capturar.

    O elfo monge reflete sobre a história do cativo, lembrando da única elfa negra que conhecera: Azira, aquela que o transformou no assassino do melhor amigo. Após uma curta discussão, Gadeus e Laurana decidem agir em prol do meio-orc, desamarrando-o e saindo da floresta enquanto ainda estavam encobertos pelo manto da noite. Na orla da floresta, cercam dois dos assassinos visados por Ugo e entram em combate. Enquanto o meio-orc duela furiosamente com um inimigo, o elfo monge desacorda o outro adversário e Laurana, num golpe pelas costas, degola o segundo.
 
   Colina abaixo, as luzes das tochas se espalham por todo o leito do rio, procurando por Ugo. Aproveitando-se da ausência de tantos aldeões, Gadeus resolve guiar os dois companheiros vila adentro,  decidido a confrontar a elfa negra. Inflado com um desejo de vingança, Ugo rapidamente concorda e os três furtivamente atravessam o rio.

   Dentro da pequena vila, localizaram a carruagem na qual Ugo vira a elfa chegar à cidade. Separando-se dos dois parceiros, Laurana escalou a hospedaria, invadindo-a através da janela e buscando pelo quarto da bruxa.

   Tão logo a gatuna desapareceu, Ugo e Gadeus perceberam que a carruagem começava a se mover, mesmo sem cavalos. Na tentativa de impedir que a criminosa lhes escapasse, o meio orc atravessou o caminho do veículo, sendo atropelado por ele. Uma das portas abriu e, com a calma e a frieza da primeira neve de inverno, Azira desceu.
    Vestida com um manto de pele cinzenta e roupas de couro batido, a elfa negra levantou a sobrancelha, fixando os olhos em Gadeus. O olhar de aço da bruxa ferveu o sangue do elfo e quando ela, na sua sarcástica voz, lhe perguntou:
   - O que faz nestas terras, Gadeus? Há mais algum amigo aqui no qual desejas atirar?
   Em fúria, o monge investiu contra ela, que moveu a mão, invocando uma estaca de pedra do chão, com o som de uma manada de elefantes. A estaca se chocou contra o elfo, jogando-o no ar.
   Ugo partiu para o ataque, mas mal empunhara os machados e Azira o prendeu, criando muros altos de rocha em sua volta. Gadeus curvou-se, fincando um joelho no chão, tinha sangue manchando as roupas, apenas para ver a carruagem novamente se deslocando na direção do deserto.
   Azira partira, após humilhá-lo novamente.
   Os golpes furiosos do meio-orc logo derrubaram uma das paredes e - após o retorno de Laurana, que nada disse sobre o que estivera fazendo - reuniram-se fora da vila, escapando das luzes dos aldeões.
   Ali, no escuro, pactuaram de encerrar a vida daquela elfa, não importando a que custo.

   Considerações: Num resumo um tanto superficial, esta foi a primeira sessão da nossa campanha. Muitos detalhes se perderam da minha memória, pois já faz seis meses desde que isto aconteceu. Poucos eventos grandiosos, sem nenhuma batalha de peso ou personagens perto da morte (vai acontecer bastante). Vemos três dos personagens se reunirem numa causa comum, sem grandes amizades - que serão bastante fortalecidas por essas tais experiências de quase morte.
   Apesar disto, conhecemos uma da antagonista mais odiada, Azira, que na verdade é uma personagem de outra mesa antiga. Aliás, muitos dos personagens que aparecem nas Pré Narrativas são PJs de outra mesa. Kha, Nuitaro e Azira foram todos PJs de um grupo antigo.

terça-feira, 2 de setembro de 2014

Pré-Narrativa #8 - Hogg, O Filho da Serpente

    Salve! Este é o início de uma série (muito provavelmente longa) de reportes de aventura, contando as aventuras e (mais recorrentes) desventuras do maior grupo de heróis desbravadores que Tellerian já viu. Antes que os reportes comecem, inicio com a narração de eventos muito anteriores à campanha, consistindo de alguns eventos dos backgrounds do personagem e bases da história.
    Os personagens são a elfa ladina Laurana (Julia), o elfo monge Gadeus (Neto), o bárbaro meio orc Ugo (Caio), o feiticeiro meio anjo Kaly (Eddie), a paladina draconato Brianna (Marcela) e o arcanista  milenar Rafiki (Arthur).

Pré Narrativa #8 - Hogg, O Filho da Serpente
  
   As raças goblinóides de Tellerian, sejam orcs, ogros ou goblins; possuíram uma civilização durante a Era da Criação. Orcs foram por muito tempo os guardiões das florestas, druidas e rangers cuja religião se voltava ao culto da natureza. Goblins, espertos por natureza, criaram muitos dos utensílios que hoje os humanos usam no dia-a-dia, como as rodas, os barcos e as represas.
   No entanto, quando Nidufag, o Rei Cinzento, morreu, seus muitos filhos começaram uma guerra pelo trono. Pressionados a entrarem numa aliança, os goblins se afastaram de seus parentes maiores. Os ogros, raça naturalmente selvagem, se separaram em pequenos grupos, mudando-se para lugares remotos.
    Assim, os treze clãs dos orcs guerrearam, comandados pelos treze filhos de Nidufag. A guerra os levou à ruína e sete clãs foram dizimados. Com a conta dos anos aumentando, pouco a pouco os orcs esqueceram o motivo de sua guerra, e quando o conflito cessou, nada mais restava de sua civilização.

   Muitas das cidades de rocha que haviam construído foram tomadas por anões, seus rivais. As cidades portuárias que haviam construído junto dos goblins, tomadas por homens. Suas vilas e suas clareiras ritualísticas, completamente dominadas por orelhas pontudas. Tudo que um dia construíram não pertencia mais a eles.

   Feridos, cansados e perdidos, os clãs iniciaram seu êxito. Bermarc foi para o norte com seus filhos, netos e bisnetos - o filho pródigo de Nidufag resgatou um pouco da glória do pai nas terras geladas do norte, gerando uma genealogia de orcs brancos. 

  Sirufax tentou cruzar o mar, mas muitos de seus barcos afundaram e ao chegar em Khalifor, foram afugentados pelo povo negro que lá vivia, tornando-se pouco mais que nômades bárbaros. Gragga e sua prole adentrou nas montanhas, tentando resgatar suas cidadelas subterrâneas e lá vivem até hoje - orcs negros de olhos imensos, os inimigos mais temidos dos anões.
  Segga e Brod uniram-se e foram para o sul, entrando nas florestas inexploradas para nunca mais voltar.

   Mas o filho mais terrível de Nidufag, Rarlok Lobovermelho, reuniu a sua volta os mais monstruosos dos seus. Distorcendo as tradições druídicas de seu povo para um culto sanguinário aos espíritos dos lobos, Rarlok gerou um clã imenso, devasso e furioso. Orcs brutos que cruzavam entre si e com animais, estupravam quaisquer fêmeas que capturassem, gerando filhos ainda mais cruéis.
Hogg, O Filho da Serpente

  Esse povo inescrupuloso e desunido se tornou uma das maiores ameaças a quem quer que vivesse em Solamnia, mas felizmente eram incapazes de formar alianças. Eram. Até que Hogg surgiu.
   Alguns dos seus dizem que seu pai, Trovard, cruzou com uma serpente, alguns diriam até com uma hidra, para que Hogg nascesse. O que se sabe é que ele tem a pele como escamas de cobra.

   Hogg matou o próprio pai com uma adaga feita dos ossos da mãe morta, fosse ela uma serpente, uma hidra ou outra coisa ainda pior. Vindo de lugar nenhum, submeteu ogros no combate desarmado, como manda a tradição desta raça primitiva, aliou-se com algumas das matriarcas goblins e um a um, venceu os líderes do clã de Rarlok.

   O último deles, Dagmar, rasgou-lhe a boca, antes que fosse vencido. Assim, com todos os líderes orcs ajoelhados diantes de si, Hogg - ainda com os lábios partidos ao meio - falou para seu povo:

    - Elfos tomaram nossas florestas. Anões tomaram nossas cavernas. Homens tomaram nossas cidades. Não mais. Os espíritos da floresta me fizeram forte. Deram-me olhos como os das águias, dentes como os dos lobos, a pele imortal das serpentes e a força dos ursos. Eu sou seu líder e vos digo: o que foi nosso, nos tempos de Nidufag, será nosso outra vez, nestes tempos... Nos tempos de Hogg!
    Com um uivo animalesco, o povo goblinóide acendeu fogueiras tão grandes quanto casas, iluminando as nuvens de vermelho. Sob o comando de Hogg, louvaram seus deuses antigos uma vez mais, antes de partir ao encontro dos reinos élficos. 

Pré Narrativa #7 - O Máscara Dourada

    Salve! Este é o início de uma série (muito provavelmente longa) de reportes de aventura, contando as aventuras e (mais recorrentes) desventuras do maior grupo de heróis desbravadores que Tellerian já viu. Antes que os reportes comecem, inicio com a narração de eventos muito anteriores à campanha, consistindo de alguns eventos dos backgrounds do personagem e bases da história.
    Os personagens são a elfa ladina Laurana (Julia), o elfo monge Gadeus (Neto), o bárbaro meio orc Ugo (Caio), o feiticeiro meio anjo Kaly (Eddie), a paladina draconato Brianna (Marcela) e o arcanista  milenar Rafiki (Arthur).

Pré Narrativa #7 - O Máscara Dourada
  
    Na longínqua terra de Hellheim, na costa oriental de Khalifor, os Uk'shumbare contam uma lenda aterradora do necromante que veio do oeste distante. Seu rosto disforme e seu corpo distorcido por feitiçarias malignas, a voz que é como o eco de uma lúgubre caverna. Renascido sob uma lua de sangue, após ser morto pelos próprios companheiros. Os selvagens temem seu nome, mas alguns exploradores voltaram com um nome nos lábios e memórias de um terror indescritível.

   Nuitaro. O negro. Aquele cuja sombra caminha. A voz oculta do pântano. O homem da máscara dourada.

   Fora um bom homem algum dia, segundo contavam. Um aventureiro, um herói. Influenciado por um mentor obscuro, decaiu até o ponto de se tornar cruel. E uma vez que se deixa as trevas entrarem, elas nunca mais se vão.

   Não levou muito tempo até que Reloah fizesse uso de suas habilidades, afinal, Azira e o mago haviam sido companheiros no passado. O elfo ofereceu ao necromante uma pequena amostra da Palavra, em troca de seus serviços e o Nuitaro aceitou.

   O máscara dourada caminhou até o centro de uma clareira, nos pântanos enevoados de Hellheim. Cortando pedaços de sua carne podre para dentro de um caldeirão de estanho, elevou sua voz, chamando entidades do mundo inferior. A lua cheia refletiu o brilho amarelo do seu rosto falso e sob a máscara, um sorriso macabro se esticou.

     Longe dali, um pequenino elfo tossiu, atraindo a atenção daqueles que estavam em volta. Doenças eram incomuns entre aquele povo. Ainda assim, a criança da floresta ajoelhou e continuou tossindo, até que manchas vermelhas se formassem no chão. Desesperados, os elfos fizeram tudo que sua magia podia fazer, mas não conseguiram impedir que aquela tosse sangrenta retirasse por completo o fôlego da criança. Pela primeira vez na história élfica, um dos seus perecera ainda infante.

    Em cada casa e em cada floresta dos reinos élficos, outras crianças da floresta começaram a tossir sangue. Os adultos sentiram-se subitamente cansados, enquanto manchas escuras surgiam em seus corpos. A praga começara.

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Pré Narrativa #6 - Guerra no Céu

    Salve! Este é o início de uma série (muito provavelmente longa) de reportes de aventura, contando as aventuras e (mais recorrentes) desventuras do maior grupo de heróis desbravadores que Tellerian já viu. Antes que os reportes comecem, inicio com a narração de eventos muito anteriores à campanha, consistindo de alguns eventos dos backgrounds do personagem e bases da história.
    Os personagens são a elfa ladina Laurana (Julia), o elfo monge Gadeus (Neto), o bárbaro meio orc Ugo (Caio), o feiticeiro meio anjo Kaly (Eddie), a paladina draconato Brianna (Marcela) e o arcanista  milenar Rafiki (Arthur).

Pré Narrativa #6 - Guerra no Céu

   A viagem entre os planos não é fácil e tais investidas geraram inúmeras guerras ao longo das eras, por tais motivos, os seres dos planos superiores e inferiores, amplamente conhecidos como anjos e demônios, estabeleceram um tratado: apenas um de cada raça poderia visitar o plano material a cada século.

  Quando a caixa com as Cartas do mago Eriol foi desenterrada, no entanto, este tratado se tornou um pacto arriscado. A raça que tivesse a posse da caixa primeiro se tornaria tão poderosa que não haveria chances para a adversária. Mas o Principado Celestial não desejava incitar uma guerra incalculável ao enviar legiões para Tellerian, o que gerou acaloradas discussões entre as facções dos anjos.

   Mas os arcanjos tinham uma arma secreta. Havia, entre eles, um meio anjo. Um ser sangue mortal o suficiente para ser enviado a Tellerian sem ser percebido. Assim, em troca de poder encontrar o meio irmão Kaelthas, Kaly foi enviado à procura das Cartas de Eriol.

   Tão logo o meio anjo foi lançado ao plano material, as facções se desentenderam. Deixar a responsabilidade sobre uma arma tão poderosa na mão de um anjo de sangue sujo ia contra as tradições.

    O Serafim Misail e o Principado tentaram argumentar, mas a tensão só aumentava. Nas sombras e em encruzilhadas perdidas no Mar Astral, Malthail - o líder dos Recípere, os anjos mercadores de almas - negociou com Cinnaelthas, uma rainha do submundo. Ele mandaria anjos a Tellerian, começando a guerra, para que Cinna invadisse a cidadela dos Principados, deixando vago o trono, assim Malthail se tornaria o líder dos Serafins.

   Cinna, no entanto, viu aí uma chance para promover a própria causa. A guerra começou e os demônios invadiram o céu através dos caminhos que Malthail ensinou à comparsa. Uma por uma, as cidadelas dos anjos caíram e as poucas facções restantes iniciaram uma guerrilha contra os invasores.

    Misail morreu, caindo ao mundo material com toda a sua guarda, levando consigo a espada do rei, Alvorada.
   Malthail, em fúria, matou com as próprias mãos a rainha do submundo que o traíra, mas o estrago já havia sido feito. O Céu estava em guerra.

Pré Narrativa #5 - Os Quarenta Espíritos

    Salve! Este é o início de uma série (muito provavelmente longa) de reportes de aventura, contando as aventuras e (mais recorrentes) desventuras do maior grupo de heróis desbravadores que Tellerian já viu. Antes que os reportes comecem, inicio com a narração de eventos muito anteriores à campanha, consistindo de alguns eventos dos backgrounds do personagem e bases da história.

    Os personagens são a elfa ladina Laurana (Julia), o elfo monge Gadeus (Neto), o bárbaro meio orc Ugo (Caio), o feiticeiro meio anjo Kaly (Eddie), a paladina draconato Brianna (Marcela) e o arcanista  milenar Rafiki (Arthur).

Pré Narrativa #5 - Os Quarenta Espíritos

  Na escuridão anterior à criação dos planos, a Espiral luzia como uma fonte infinita de energia. Um rasgo para outro universo, uma singularidade, um oásis de luz nas profundezas silenciosas deste universo.

   Desta magnífica, inexplicável e indescritível massa de energia, surgiram os Três Primordiais. Primeiro Amenti, que jorrou matéria, transformando a energia da Espiral em pó de estrela. Depois Eoth, a Artesã, que forjou os planos, separando os planos superiores e os inferiores, o plano material e os féericos, no meio do Mar Astral. Surgiram estrelas, planetas e - sem que ela desejasse - espíritos caóticos, seres de energia e consciência. Por fim, Voyu, o vigia, surgiu da Espiral, consumindo as sobras de matéria, para que o equilíbrio se mantivesse.

   Quando a massa de energia se dissipou, Eles vieram. A Raça de Ouro. Titânicos, viajaram entre os planos, colonizando-os, criando raças, criando plantas, criando e moldando e lapidando mundos e dimensões. Acalmando os espíritos, banindo seres monstruosos para o profundo Abismo e seus planos temíveis.

   Ao fim, criaram a Raça de Prata. Os deuses de Tellerian. Guardiões da criação, para que cuidassem de seu trabalho e instruíssem as raças sobre sua origem. Deixaram para estes a Palavra, a língua original, a qual o universo se dobrava. Então adormeceram e em seu sono, foram esquecidos.

  Os deuses, no entanto, não cumpriram com a tradição da Raça de Ouro; elevando-se à regentes dos mundos. Muito deste tempo foi esquecido, mas quando a Era da Criação acabou, os deuses se retiraram para um dos planos mais altos do Mar Astral, esperando e temendo que um dia a Raça de Ouro despertasse de seu sono e os punisse por seus crimes.

  Em sua pressa ao deixar Tellerian, no entanto, enfureceram alguns dos espíritos que a Raça de Ouro levara tanto tempo para acalmar. No meio do fúria destas criaturas, um homem se ergueu para trazer a paz. Não um elfo, não um dragão, não um anão. Um homem. Um dos altos homens das terras nortenhas. "Ordo ab chao." disse ele, antes de convocar o poder da Palavra, que os deuses deixaram registrada em seus antigos palácios.

   Com suas espada e cetro na mão, o homem submeteu cada um dos quarenta espíritos que habitavam o plano material, prendendo-os em cartas para que não mais aterrorizassem Tellerian.
   Por fim, o mago pôs as cartas numa caixa, trancando-a para que apenas outro mortal como ele pudesse abrir e ao fazê-lo, cansado e envelhecido por todo o esforço, olhou para o além e prometeu:


    - Vós, que se proclamam deuses, sois mentirosos. Vós, que nos abandonaram, hão de padecer de justiça e na falta desta, de vingança. Não importa que alguns nos estendam mãos para ajudar, bem sei que são no fundo egoístas. Suas intrigas e suas guerras nos levaram à miséria, nos trazendo dor. Muitos esquecerão, mas um dia haverão de acordar aqueles que vós nos fizeram esquecer.

sábado, 30 de agosto de 2014

Pré Narrativa #4 - O Orbe do Dragão

    Salve! Este é o início de uma série (muito provavelmente longa) de reportes de aventura, contando as aventuras e (mais recorrentes) desventuras do maior grupo de heróis desbravadores que Tellerian já viu. Antes que os reportes comecem, inicio com a narração de eventos muito anteriores à campanha, consistindo de alguns eventos dos backgrounds do personagem e bases da história.
    Os personagens são a elfa ladina Laurana (Julia), o elfo monge Gadeus (Neto), o bárbaro meio orc Ugo (Caio), o feiticeiro meio anjo Kaly (Eddie), a paladina draconato Brianna (Marcela) e o arcanista  milenar Rafiki (Arthur).

Pré Narrativa #4 - O Orbe do Dragão

   Antes que elfos, humanos e anões se tornassem as raças mais populosas de Tellerian; a terra, os céus e o mar pertenciam aos dragões. Vermelhos, verdes e negros nas montanhas, planícies e pântanos; azuis nos mares e brancos nos picos gelados do norte.

   Orgulhosos e egoístas, tinham pouca tendência a viver em conjunto, mas ainda assim construíram três magníficas e gigantescas cidades: Panferlax nas cordilheiras de Balgard, Khaderlax no norte longínquo e Thrandlax no meio do mar que hoje chamam de Mar Dracônico.

    Paz não era algo comum naqueles tempos e as guerras dracônicas assolaram todas as regiões conhecidas de Tellerian e também aos continentes inexplorados de além mar. Após uma guerra que deixou o mar fervilhando e as montanhas como presas flamejantes, os reis dragões se reuniram, clamando por paz.

   Um acordo foi feito, cada rei dragão forjou um orbe e uma chave, secretamente colocando-os sob a guarda de dois outros reis dragões. Aquele que possuísse ambos, orbe e chave, controlaria toda uma raça. Assim, se alguma das espécies estivesse em guerra, bastava que dois guardiões se unissem para cessá-la.

    Duas vezes os dragões guerrearam, mas os guardiões uniram-se, cessando a guerra. A submissão forçada era algo que o ego dracônico não podia suportar, então a lição foi aprendida, as guerras cessaram e a paz abraçou o mundo.
   Tellerian pôde, enfim, florescer. Os dragões se afastaram, muitos procurando covis em águas profundas, montanhas inalcançáveis ou terras inexploradas. As raças menores conseguiram finalmente tomar para si aquelas terras, conhecendo apenas como um temor infundado, uma lenda antiga ou uma história esquecida, aqueles que um dia reinaram sem rivais. A era dos dragões acabou.
 
   Setenta anos antes da aventura, Vermillion, o rei dos dragões vermelhos, finalmente localiza o guardião do Orbe Vermelho. Já em posse da chave, conseguida através de um grupo de aventureiros, entre eles Azira e seu quase carrasco, Kha; o dragão se infiltra na cidade anã de Igard, transformando-se num anão ruivo.

   Dentro da cidade, identifica o guardião do Orbe, Serenithas, um guerreiro e clérigo anão, portador da Mormegil, a Ceifadora de Dragões. O dragão, após emboscar Serenithas, investe contra ele, mas é repelido por uma poderosa magia; em fúria, tenta transformar-se, mas sob as montanhas consegue apenas se ferir, destruindo casas e provocando uma avalanche no processo.
    Tentando salvar as vidas daqueles que amava, o clérigo percorre caminhos secretos, levando o dragão, agora um anão ruivo, para fora. Serenithas, sabendo que logo seria alcançado, percorre incessantemente a planície, montado em seu cavalo de Hellheim, Sombraveloz. Por três dias e três noites Serenithas fugiu para o oeste sem cessar, caçado por Vermillion em sua poderosa e gigantesca forma.
    Exausto, Sombraveloz por fim parou e Serenithas decidiu que haveria de lutar. Conjurou um dos maiores poderes que o Orbe sozinho haveria de realizar: forçou Vermillion à sua forma anã. Ainda assim, o rei dragão era por demais poderoso para que um único guerreiro o vencesse, por mais poderoso que fosse. Serenithas acertou a face do rei dragão, marcando-a para sempre e tirando um grito feroz, mas Vermillion o trespassou com sua lança, arrancando o Orbe de sua mão, voltando a sua forma dracônica, o que destruiu toda uma vila e recuando para seu covil, sofrendo de uma dor excruciante.

   Em seus momentos finais, Serenithas foi amparado por Murdock, um jovem cuja família foi morta por Vermillion ao destruir a vila. Juntos na dor, os dois, humano e anão, fizeram um pacto: Serenithas usaria de toda a força que lhe restava para abençoar o jovem e este empunharia a espada do clérigo para findar com a cruel e impiedosa vida do dragão.

   No entanto, a benção era também uma maldição. Murdock viu-se incapaz de morrer, independente de que tipo de ferimento sofresse, embora a dor dos ferimentos o seguisse por muito tempo. Montado no cavalo negro que um dia havia sido do clérigo e empunhando a espada de lâmina negra que rasgara a face do rei dragão, o espadachim converteu-se numa implacável força, destinada a matar Vermillion para enfim descansar em paz.

   Anos depois, uma sacerdotisa atraiu a atenção de Vermillion, que finalmente descobriu o que os mortais haviam de chamar de amor. Esta, após ser violentada por um líder orc, Dagmar, deu a luz a uma criança monstruosa, que o dragão passou a defender. Ugo, o meio orc, teve como mentor e pai um anão ruivo, marcado com um profundo corte na face. Quando Ugo tornou-se um rapaz, Vermillion trouxe até si os aventureiros que, ignorantes, o haviam entregue a chave, tornando Ugo o escudeiro de um dos anões para que amadurecesse e um dia retornasse.